MENGÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
NEM PRECISOU DA AJUDA DAQUELE AMEBA DO BOTA QUE ACHOU QUE IRIA LEVAR UMA BOLA FAZENDO GOLS CONTRA.
MENGÃO NÃO PRECISA DISSO.!!!!
MENGÃO TEM GOLEIRO!
GRANDE GOLEIRO!
ESSA VITORIA É DO GOLEIRO!
VOU CORTAR MEU CABELO BAIXINHO IGUAL AO DO GOLEIRO!!!
VIVA MENGÃO! É CAMPEÃO!!!!!!!!!
VIVA O MAIOR JOGADOR DO MENGÃO! PEGA QUALQUER COISA QUE APAREÇA NA FRENTE!
ÉÉÉÉÉÉÉ´BRUNO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
BBBBBBBBBBBBRRUUUUUUUUUUUUNNNNNNNNOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Agora que acabou o jogo, vamos todos pra rua consumir, que a vida não para e os vendedores precisam ganhar a vida.
E viva o Mengão, Viva o Bruno, viva às vendas. Vamos consumir moçada, que o comércio tá precisando é disso.
VENDASSSSSSSSS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Se possível passem no Rio Decor - Barra - Free Way, na loja Rachel Design e comprem com a vendedora ANGELA PANZA.
Ela, além de flamenguista, entende de decoração pacas. E precisa vender.
Vamos comemorar, bebemorar e comprar, muito! Comprar Comprar e Comprar.
E VIVA O MENGÃO! TRI CAMPEÃO!
E VAMOS COMPRAR! COM A ANGELA PANZA DA RACHEL DESIGN DO RIO DECOR - FREE-WAY.
TODOS JUNTOS, VAMOS LÁ!!!!!!!!!!!!!!!!!
QUEM CHEGAR POR ÚLTIMO É MULHER DO PADRE...OU DO BISPO!
3 de mai. de 2009
20 de fev. de 2009
A grande diferença entre email marketing e spam
Encontrei uma matéria no site da empresa Virtual Target que é uma pequena aula de email marketing. É ótimo não só para quem faz, como tambem para todos usuários saberem a grande diferença entre email marketing e spam.


Reproduzo abaixo o texto, foi tirado da pag: http://ptbr.virtualtarget.com.br/index.php/86/o-que-e-email-marketing//
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O que é email marketing?
O que é email marketing?
Os consumidores de internet já conhecem bem o email marketing. Falam mal, acham “invasivo”, entram em blogs e fóruns de discussão e o confundem com o spam (mensagem eletrônica não solicitada, enviada em massa). Porém, esses mesmos consumidores de internet recebem, diariamente, newsletter do seu jornal diário predileto. Passam horas lendo notícias do seu assunto de interesse. Navegam em lojas virtuais, compram e recebem informativos semanais de ofertas. Compram essas ofertas. Recebem informações sobre pagamento, sobre cadastro, sobre eventos, etc, etc. E o que são esses emails que já fazem parte da rotina diária dessas pessoas? São emails marketing.
Quem trabalha com internet já sabe que o email marketing é uma mídia muito utilizada. Sabe-se que o recebimento e o envio de emails são as atividades mais realizadas pelos internautas, seguidas, de longe, pela leitura de notícias e por diversão. De acordo com estudo de comportamento de usuários realizado pelo CGI, o email é o principal motivo de acesso à internet. Logo o email marketing possui um alcance incomparável e não é possível imaginar empresas que não utilizem esse canal de comunicação pois é de extrema importância para o relacionamento com os clientes.
O email marketing é uma das melhores estratégias de relacionamento existentes atualmente: permite segmentar, personalizar e mensurar os retornos com muita facilidade e precisão. É um dos maiores responsáveis pelo branding da marca: segundo pesquisa da Bredin Business Information (2007), 30% das empresas tiveram uma melhor imagem de um fornecedor através do email marketing que receberam. Porém, aliado ao seu baixo custo, também é uma ação de marketing tentadora para qualquer empresa, pois pode conseguir retorno imediato, uma válvula de escape para alcançar as metas mensais.Mas é justamente por essa atitude de profissionais despreparados que o spam ganha força. E esses profissionais não fariam email marketing “desesperadamente” se, de certa forma, não desse resultado. Logo temos o seguinte cenário:

Ao fazer email marketing sem nenhuma preocupação com o retorno geral, o mercado acaba criando uma legião de contatos que não desejam mais receber seus emails (por não fazerem parte do perfil ou não estarem em seu momento de compra). Muitas vezes esses emails são remetidos como spam: os contatos fazem isso para se defender de empresas sem ética que não respeitam seu desejo de saírem da lista e acabam remetendo diversos emails marketing como spam, o que prejudica a reputação de empresas sérias.
Claro que isso não aconteceria se todas as empresas trabalhassem eticamente. E por todo este trabalho não profissional, os provedores acabam criando novas e novas regras, sempre com o propósito de barrar emails marketing indesejados. Para que o mercado (contatos e provedores) se adeque a algumas normas do email marketing é preciso, primeiro, que as empresas passem a trabalhar dentro dessas normas.

Este círculo vicioso acaba atrapalhando as empresas que tentam trabalhar direito: enviam email marketing para uma base de relacionamento ou opt-in e tentam integrá-lo com suas bases de dados, fazendo dele um braço do seu CRM. A “boa intenção” é um grande passo, mas ela não é auto-suficiente sem o conhecimento das técnicas.
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Esse é o texto da matéria, espero que seja útil para alguem e que a empresa citada não se incomode com a reprodução.
13 de fev. de 2009
InDesign CS2 e 3 - Configurando notas de rodapé
Pra quem trabalha com livros, as notas de rodapé costumam dar um pouco de dor de cabeça.
O melhor é acertar logo as configurações no inicio da diagramação.
Abaixo reproduzo as 2 caixas referentes às footnotes.
Para abrir essas caixas, vá em TIPO/Opções de nota de rodapé em documento.

Na aba Numeração e formatação, no item Reiniciar numeração a cada:
Se voce estiver com um texto longo e quizer que as notas reiniciem à cada capítulo, basta marcar este item como seção.
Claro que na paginação, os capítulos devem ser numerados por seções.

O que mais dá trabalho aos diagramadores, certamente, é o fio sobre a continuação da nota na pag seguinte.
O melhor é acertar logo as configurações no inicio da diagramação.
Abaixo reproduzo as 2 caixas referentes às footnotes.
Para abrir essas caixas, vá em TIPO/Opções de nota de rodapé em documento.

Na aba Numeração e formatação, no item Reiniciar numeração a cada:
Se voce estiver com um texto longo e quizer que as notas reiniciem à cada capítulo, basta marcar este item como seção.
Claro que na paginação, os capítulos devem ser numerados por seções.

O que mais dá trabalho aos diagramadores, certamente, é o fio sobre a continuação da nota na pag seguinte.
Pois, na aba Layout, veja a marcação em:
Fio acima: Notas de rodapé com continuação - Fio ativado.
Também atenção pra largura do fio. Se estiver marcando 100% ele pegará toda a largura da mancha da página.
É isso aí. Espero que seja útil para alguem.
18 de dez. de 2008
Interagindo de verdade, mesmo sem Skype
Olha aí.
Por que ninguem usa o Skype?
É telefone de graça com direito a imagem e tudo em qualquer parte do mundo.To procurando todos e não encontro ninguem.
Tambem ninguem liga pro meu telefone do Virtua que é de graça.
Mas o skype?Por que não usar?
Pra Raquel que tá em Portugal, pra minha familia que tá em Jardinópolis, pra minha musa que tá no Alaska. Pra outra que tá em Niteroi, praquela que tá em Curicica, Quintino, Madureira ou Nova Iguaçu?
Ninguem usa isso aqui? Por que não?
Pros amigos chegados, que estão pertos mas a gente nunca se vê.
Por que não?
O gente dificil essa, acho que existem tantos meios de comunicação que a gente acaba não se comunicando. Tá cada um num canal, numa trilha.
É mais facil bater um papo com a Kryrioghtsh lá da Rthgrasfrthkonm do que encontrar alguem conhecido.
O chato é que não tenho a mínima idéia do idioma que a Kryrioghtsh fala no Rthgrasfrthkonm.
É dificil paca.
Mas tá no Skype
E de graça!!!
Com câmera e tudo
E eu brigando com um plano do NetFone que só me ferra.
Com tarifas VIRTUAIS até não acabar mais.
Conexão medonha que despenca toda hora, enquanto só penso que já passou do tempo de pular fora.
E o Skype aí, sem uso, a espera de de algum conhecido dê o ar da graça.
A internet conecta voce com o mundo inteiro, só que antes, voce precisa gastar uma boa grana pra fazer essas conecções, encontrar quem tá conectado que voce conheça ou te interresse, dar um jeito de interagir com essas pessoas, descobrir como se conectar com elas e finalmente, descobrir como fazer pra pagar uma grana preta pra não ter problemas de conexão e aí sim, é que realmente é o finalmente: descobrir se tem alguma coisa que te interesse, além dos mapas fotograficos, filmes, museus, cidades, praias, enfim, uma enxurrada de informações.
Tudo alí ao alcance de um simples click.
É só voce descobrir pra que!
Sem o Skype, melhor desligar o computador e ir pro buteco da esquina bater papo.
E ver a vida passando e voce fazendo parte dela. Interagir, pra mim, é isso aí.
Por que ninguem usa o Skype?
É telefone de graça com direito a imagem e tudo em qualquer parte do mundo.To procurando todos e não encontro ninguem.
Tambem ninguem liga pro meu telefone do Virtua que é de graça.
Mas o skype?Por que não usar?
Pra Raquel que tá em Portugal, pra minha familia que tá em Jardinópolis, pra minha musa que tá no Alaska. Pra outra que tá em Niteroi, praquela que tá em Curicica, Quintino, Madureira ou Nova Iguaçu?
Ninguem usa isso aqui? Por que não?
Pros amigos chegados, que estão pertos mas a gente nunca se vê.
Por que não?
O gente dificil essa, acho que existem tantos meios de comunicação que a gente acaba não se comunicando. Tá cada um num canal, numa trilha.
É mais facil bater um papo com a Kryrioghtsh lá da Rthgrasfrthkonm do que encontrar alguem conhecido.
O chato é que não tenho a mínima idéia do idioma que a Kryrioghtsh fala no Rthgrasfrthkonm.
É dificil paca.
Mas tá no Skype
E de graça!!!
Com câmera e tudo
E eu brigando com um plano do NetFone que só me ferra.
Com tarifas VIRTUAIS até não acabar mais.
Conexão medonha que despenca toda hora, enquanto só penso que já passou do tempo de pular fora.
E o Skype aí, sem uso, a espera de de algum conhecido dê o ar da graça.
A internet conecta voce com o mundo inteiro, só que antes, voce precisa gastar uma boa grana pra fazer essas conecções, encontrar quem tá conectado que voce conheça ou te interresse, dar um jeito de interagir com essas pessoas, descobrir como se conectar com elas e finalmente, descobrir como fazer pra pagar uma grana preta pra não ter problemas de conexão e aí sim, é que realmente é o finalmente: descobrir se tem alguma coisa que te interesse, além dos mapas fotograficos, filmes, museus, cidades, praias, enfim, uma enxurrada de informações.
Tudo alí ao alcance de um simples click.
É só voce descobrir pra que!
Sem o Skype, melhor desligar o computador e ir pro buteco da esquina bater papo.
E ver a vida passando e voce fazendo parte dela. Interagir, pra mim, é isso aí.
13 de nov. de 2008
Mundo de Pontas ("World of Ends") - Você sabe o que é a Internet?
Acabo de descobrir uma nova compreensão sobre a internet.
Melhor dizendo, acabo de entender melhor o mundo real que existe na internet.
Reproduzo abaixo um texto da pagina do Sr. Rainer Brockerhoff (http://www.brockerhoff.net/bb/viewtopic.php?t=10), que simplesmente ilumina nossa santa ignorância sobre uma ferramenta (ou conteudo dessa ferramenta) que usamos diariamente achando que a conhecemos, quando na verdade, o buraco é muito mais embaixo.
Ainda estou engatinhando nesse texto, e tenho mais 2 textos citados ainda pra ler: Cluetrain Manifesto e o texto contra-manifesto "World of Assholes".
Bem, vou colocar o texto do Sr. Rainer na íntegra, que assim facilita o entendimento sobre o que estou falando.
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Publicado em 07 março 2003
Esta é uma tradução, a toque de caixa, do artigo World of Ends, por Doc Searls e David Weinberger. Em menos de um dia, este artigo alcançou o primeiro lugar em vários índices importantes como TechnoRati e DayPop. Ambos são co-autores do clássico Cluetrain Manifesto. Este artigo foi colocado no domínio público pelos autores. Esta tradução foi corrida e vários termos sem dúvida poderão ser melhorados; diversas correções já foram feitas pelos amigos leitores... obrigado!
Mundo de Pontas ("World of Ends")
O Que É A Internet E Como Não Confundí-la Com Outra Coisa
Por Doc Searls e David Weinberger
Há erros e há erros.
Aprendemos com alguns erros. Por exemplo: pensar que vender brinquedos para animais de estimação pela Web é um grande jeito de ficar rico. Não vamos repetir este.
Outros erros repetimos muitas vez. Por exemplo, pensar que:
- ...a Web, como é a TV, é um jeito de manter os olhos parados para anunciantes desfilarem comerciais;
- ... a Internet é algo que as telecoms e as empresas de mídia deveriam filtrar, controlar e de algum modo, "melhorar".
- ... não é bom que usuários de diferentes sistemas de mensagens instantâneas se comuniquem pela Internet.
- ... a Internet sofre de uma falta de regulamentações que protejam indústrias que se sentem ameaçadas por ela.
Quando se trata da Internet, muitos de nós sofrem da Síndrome do Erro Repetitivo. Isso vale especialmente para editoras de revistas e jornais, rádio e TV, TV a cabo, a indústria de discos, a indústria de cinema, e a indústria telefônica, para mencionar apenas seis.
Graças à enorme influência dessas indústrias em Washington, a Síndrome de Erros Repetitivos também afeta legisladores, reguladores e mesmo os tribunais. No ano passado a transmissão radiofônica pela Internet, uma indústria nova e promissora que ameaçava oferecer aos ouvintes escolhas muito superiores às oferecidas pelas cada vez mais uniformizadas (e paleolíticas) emissoras AM e FM, foi assassinada no berço. Armas, munições e ocasionais gritos de encorajamento foram supridos pelas gravadoras e pelo DMCA (Digital Millenium Copyright Act), que incorpora todos os receios dos dinossauros-alfa de Hollywood quando fizeram lobby para a sua aprovação pelo congresso americano em 1998.
"A Internet interpreta a censura como um defeito e roteia para contorná-la", foi uma frase famosa de John Gilmore. E é verdade. A longo prazo, rádio via Internet vai fazer sucesso. Sistemas de mensagens instantâneas irão se intercomunicar. Empresas estúpidas vão ficar espertas ou morrer. Leis estúpidas vão ser revogadas ou substituídas. Mas por outro lado, outra frase famosa, esta de John Maynard Keynes, diz "a longo prazo, vamos estar todos mortos".
Queremos evitar essa espera.
Basta prestar atenção para o que a Internet realmente é. Não é difícil. A Internet não é mecânica quântica. Olhando de perto, nem é ciéncia de 6a. série. Podemos acabar com a tragédia da Síndrome do Erro Repetitivo nos nossos tempos - e economizar alguns trilhões de dólares em decisões imbecis - se lembrarmos de um simples fato: a Internet é um mundo de pontas. Você está numa ponta, e todos os outros, e todo o resto, estão nas outras pontas.
Claro, isso é uma declaração simplista sobre todo mundo possuir valor na Internet, etc. Mas também é o fato básico e palpável decorrente da arquitetura técnica da Internet. E o valor da Internet se baseia na sua arquitetura técnica.
Felizmente, a verdadeira natureza da Internet não é difícil de entender. Na verdade, apenas uma dezena de afirmativas fazem a diferença entre a Síndrome do Erro Repetitivo e a Iluminação:
- A Internet não é complicada.
- A Internet não é uma coisa, é um acordo.
- A Internet é burra.
- Adicionar valor à Internet reduz o seu valor.
- Todo o valor da Internet cresce na sua periferia.
- O dinheiro se muda para os subúrbios.
- Não é o fim do mundo, é um mundo de pontas.
- As três virtudes da Internet:
- Ninguém é dono.
- Todos podem usá-la.
- Qualquer um pode melhorá-la.
- Se a Internet é tão simples, por que tantos se enganam sobre ela?
- Poderíamos parar de fazer certos erros imediatamente.
1. A Internet não é complicada.
A idéia por trás da Internet, desde o início, foi aproveitar a força espantosa da simplicidade - tão simples quanto a gravidade no mundo real. Mas em vez de ajuntar pedrinhas pequenas em volta de uma pedra enorme, a Internet foi projetada para ajuntar redes pequenas, convertendo-as numa rede única enorme.
O jeito de fazer isso é facilitar ao máximo o envio e recepção de dados de uma rede para outra. Assim, a Internet foi projetada para ser o modo mais simples concebível para mover bits de qualquer A para qualquer B.
2. A Internet não é uma coisa, é um acordo.
Quando olhamos para um poste, vemos redes como fios. E vemos estes fios como parte de sistemas: o sistema telefônico, o sistema de energia elétrica, o sistema de TV a cabo.
Mas a Internet é diferente. Não é fiação. Não é um sistema. E não é uma fonte de programação.
A Internet é um modo que permite a todas coisas que se chamam redes coexistir e trabalhar em conjunto. É uma Inter-net (inter-rede), literalmente.
O que faz a "Net" ser "Inter" é o fato que ela é apenas um protocolo - o protocolo Internet (IP - "Internet Protocol"), para ser mais preciso. Um protocolo é um acordo sobre como fazer coisas funcionarem em conjunto.
Este protocolo não especifica o que as pessoas podem fazer com a rede, o que podem construir na sua periferia, o que podem dizer, ou quem pode dizer. O protocolo simplesmente diz: se você quer trocar bits com outros, é assim que se faz. Se você quer conectar um computador - ou um celular ou uma geladeira - à internet, você tem que aceitar o acordo que é a Internet.
3. A Internet é burra.
O sistema telefônico, que não é a Internet (pelo menos por enquanto) é muito esperto. Ele sabe quem está chamando quem, onde eles estão, se é chamada de voz ou de dados, a distância coberta pela chamada, quanto a chamada vai custar, etc. E fornece serviços que interessam apenas à rede telefônica: chamada em espera, BINA, 0800 e muitas outras coisas que companhias telefônicas gostam de vender.
A Internet, por outro lado, é burra. De propósito. Seus projetistas quiseram que a maior e mais genérica rede de todas fosse estúpida como uma caixa cheia de pedras.
A Internet não sabe muitas coisas que uma rede esperta como a rede telefônica sabe: identidades, permissões, prioridades, etc. A Internet sabe apenas uma coisa: esse pacote de bits tem que ser transportado de uma ponta da rede para outra.
Há motivos técnicos para a burrice ser considerada um bom projeto. A burrice é robusta. Se um roteador quebra, pacotes são conduzidos por outras rotas, o que quer dizer que a rede fica de pé. Graças à sua burrice, a Internet aceita dispositivos novos e gente nova, e por isso cresce rapidamente e em todas as direções. Também é fácil aos projetistas inserirem acesso à Internet em aparelhos novos - filmadoras, telefones, irrigadores de jardim - que vivem na periferia da Internet.
Isso porque o motivo mais importante da burrice ser uma coisa boa se relaciona menos com tecnologia e muito com valor...
4. Adicionar valor à Internet reduz o seu valor.
Parece estranho, mas é verdade. Se você otimiza uma rede para um tipo de aplicação, você está desotimizando-a para outras. Por exemplo, se você deixa a rede dar prioridade a dados de voz ou vídeo porque precisam chegar mais rapidamente, você está dizendo a outras aplicações que elas terão que esperar. E logo que você fizer isso, você terá mudado a Internet de uma coisa simples para todos para uma coisa complicada para apenas uma certa coisa. E aí não será mais a Internet.
5. Todo o valor da Internet cresce na sua periferia.
Se a Internet fosse uma rede esperta, seus projetistas teriam antecipado a necessidade de um bom mecanismo de busca e teriam integrado isso na própria rede. Mas como os projetistas eram inteligentes fizeram a Internet burra demais para isso. Assim, a busca é um serviço que pode ser implantado em qualquer uma das milhões de pontas da Internet. Como qualquer um pode oferecer os serviços que quiser a partir da sua ponta, sites de busca competem entre si, o que significa escolha para os usuários e inovações constantes.
Sites de busca são apenas um exemplo. Porque tudo que a Internet faz é jogar bits de uma ponta para outra, inventores podem fazer qualquer coisa que puderem imaginar, contando com a Internet para mover os dados para eles. Você não precisa pedir permissão ao dono da Internet ou ao administrador de sistema ou ao Vice-Presidente de Priorização de Serviços. Se você tem uma idéia, basta executá-la. E toda vez que você faz isso, o valor da Internet sobe.
A Internet criou um mercado livre para inovações. Esta é a chave para o valor da Internet. Do mesmo modo...
6. O dinheiro se muda para os subúrbios.
Se todo o valor da Internet está na sua periferia, a conexão Internet em si deve virar uma função primária, uma commodity. E deve-se permitir que isso aconteça.
Prover commodities é um bom negócio, mas qualquer tentativa de adicionar valor à própria Internet deve ser combatida. Para ser específico: aqueles que fornecem conectividade Internet inevitavelmente vão querer prover conteúdo e serviços também, porque a conectividade apenas terá preço muito reduzido. Mantendo essas funções separadas, vamos permitir que o mercado estabeleça preços que maximizem o acesso e que maximizem inovações em serviços e conteúdo.
7. Não é o fim do mundo, é um mundo de pontas. ("The end of the world? Nah, the world of ends.")
Quando Craig Burton descreve a arquitetura burra da Internet como uma esfera oca composta inteiramente de pontas, ele está usando uma imagem que mostra o que é mais extraordinário sobre a arquitetura da Internet: retire o valor do centro e você viabilizará um crescimento louco de valor nas pontas interconectadas. Porque, claro, se todas as pontas estão conectadas, cada uma com cada uma e cada uma a todas, as pontas deixam de ser pontos finais.
E o que nós, pontas, fazemos? Qualquer coisa que pode ser feita por qualquer um que quer mover bits.
Notou nosso orgulho em dizer "qualquer coisa" e "qualquer um"? Isso decorre diretamente da arquitetura simples e burra da Internet.
Porque a Internet é um acordo, não pertence a nenhuma pessoa ou grupo. Não às empresas estabelecidas que operam a espinha dorsal ("backbone"). Não aos provedores que nos fornecem conexões. Não às empresas de "hosting" que nos alugam servidores. Não às associações de indústrias que acreditam que sua sobrevivência é ameaçada pelo que nós outros fazemos na Internet. Não a qualquer governo, não interessa quão sinceramente acredita que está tentando manter seus cidadãos seguros e complacentes.
Conectar à Internet é concordar em crescer o valor na periferia. E aí algo realmente interessante acontece. Todos estamos igualmente conectados. A distância não importa. Os obstáculos desaparecem e pela primeira vez a necessidade humana de conectar pode ser realizada sem barreiras artificiais.
A Internet nos dá os meios de nos tornarmos um mundo de pontas pela primeira vez.
8. As três virtudes da Internet
Esses são os fatos sobre a Internet. Como avisamos, é tudo muito simples.
Mas o que significa para nosso comportamento - e, mais importante, o comportamento das megacorporações e governos que até então agiam como se a Internet fosse deles?
Aqui estão três regras básicas de comportamento que estão diretamente ligadas à natureza básica da Internet:
a. Ninguém é dono.
b. Todos podem usá-la.
c. Qualquer um pode melhorá-la.
Vamos olhar cada uma de perto...
8a. Ninguém é dono.
Ninguém pode ser dono da Internet, mesmo as empresas por cujos "fios" ela passa, porque é um acordo, não uma coisa. A Internet não só está no domínio público, ela é um domínio público.
E isso é uma boa coisa:
- A Internet é um recurso confiável. Podemos montar empresas sem nos preocupar que a Internet SA vai nos forçar a atualizar, dobrar o preço depois de assinarmos, ou ser comprada por um dos nossos competidores.
- Não precisamos nos preocupar que partes dela só funcionarão com certo provedor e outras partes só com outro provedor, como acontece com celulares, por exemplo.
- Não temos que nos preocupar que suas funções básicas só funcionarão com a "plataforma" da Microsoft, Apple ou AOL - porque aquelas ficam embaixo destas, fora de controle proprietário.
- A manutenção da Internet está distribuída entre todos usuários, não concentrada nas mãos de um provedor que pode quebrar, e nós todos juntos somos um recurso mais robusto do que qualquer grupo centralizado poderia ser.
8b. Todos podem usá-la.
A Internet foi projetada para incluir todos os habitantes do planeta.
Certo, hoje apenas uma fração da população - pouco mais de 600 milhões de pessoas - está conectada à Internet. Então - "podem" na frase "todos podem usá-la" - se sujeita às variações miseráveis da sorte. Mas, se você tem a sorte de ser rico o suficiente para ter uma conexão e um dispositivo que se conecta, a Internet em si não impõe obstáculos à sua participação. Você não precisa de um administrador de sistemas que se digne deixá-lo participar. A Internet, deliberadamente, deixa permissões do lado de fora do sistema.
É por isso que a Internet, para muitos de nós, tem o jeito de um recurso natural. Nós nos aproveitamos dela como se fosse uma parte da natureza humana que estava esperando aparecer - tanto quanto falar e escrever agora fazem parte do que significa ser humano.
8c. Qualquer um pode melhorá-la.
Qualquer um pode fazer a Internet um lugar melhor de viver, trabalhar, e criar filhos. Para piorá-la, precisa-se de alguém extremamente estúpido com uma vontade de ferro.
Há duas maneiras de melhorá-la. Primeiro, você pode montar um serviço na periferia da Internet que esteja disponível para quem queira usá-lo. Faça de graça, faça as pessoas pagarem por ele, coloque uma marmita para receber moedinhas, qualquer coisa.
Segundo, você pode fazer algo ainda mais importante: habilite um conjunto novo de serviços de periferia inventando um novo acordo. Foi assim que se criou o e-mail. E newsgroups. E mesmo a Web. Os criadores destes serviços não fizeram uma simples aplicação final, e certamente não mexeram no protocolo da Internet em si. Em vez disso, inventaram protocolos novos que usam a Internet do modo que ela existe, do mesmo modo que o acordo de como encodificar imagens em papel permitiu às máquinas de fax usar linhas telefônicas sem a necessidade de mudar o sistema telefônico em si.
Lembre-se, porém, que se você inventar um novo acordo, para que ele gere valor tão rapidamente quanto a própria Internet, ele deve ser aberto, sem donos, e para todo o mundo. É exatamente por isso que os sistemas de mensagens instantâneas não conseguiram atingir seu potencial: os sistemas atuais - AIM e ICQ da AOL e MSN Messenger da Microsoft - são territórios particulares que podem rodar em cima da Internet, mas não são parte da Internet. Quando AOL e Microsoft decidirem rodar seus sistemas de mensagens em cima de um protocolo burro que não tem dono e que qualquer um pode usar, terão aumentado grandemente o valor da Internet. Enquanto isso, eles apenas estão sendo burros, e não no bom sentido.
9. Se a Internet é tão simples, por que tantos se enganam sobre ela?
Seria porque as três virtudes da Internet são a antítese do modo como governos e empresas vêem o mundo?
Ninguém é seu dono: empresas se definem pela sua propriedade, e governos se definem pelo que controlam.
Todos podem usá-la: nas empresas, vender algo significa transferir direitos exclusivos de uso do vendedor para o comprador; nos governos, fazer leis significa impor restrições às pessoas.
Qualquer um pode melhorá-la: empresas e governos valorizam funções exclusivas; apenas certas pessoas podem fazer certas coisas, fazer as alterações corretas.
Empresas e governos pela sua própria natureza são propensas a entender erradamente a natureza da Internet.
Há outra razão porque a Internet não se explicou muito bem: as grandes empresas preferem ficar nos dizendo que a Internet é apenas uma televisão lenta.
A Internet tem sido demais como Walt Whitman, que no poema "Cantiga de mim mesmo" ("Song of myself") disse: "Não me preocupo em ser entendido. Eu vejo que as leis elementares nunca se desculpam."
De outro lado, as leis elementares da Internet nunca pensaram que haveria pessoas tentando basear suas carreiras em não entendê-las.
10. Poderíamos parar de fazer certos erros imediatamente.
As empresas cujo valor veio de distribuir conteúdos em formatos que o mercado não quer mais - estão escutando, gravadoras? - podem parar de pensar que bits são átomos ultra-leves. Vocês nunca vão nos impedir de copiar os bits que quisermos. Em vez disso, porque não nos dar razões para prefir comprar música de vocês? Poderíamos até ajudá-los a vender, se nos pedissem.
Os funcionários públicos que confundem o valor da Internet com o valor dos seus conteúdos poderiam entender que, mexendo no centro da Internet, estão na verdade reduzindo seu valor. Na verdade, talvez poderiam entender que ter um sistema que transporta todos os bits igualmente, sem censura de governos e indústrias, é a força mais poderosa já vista a favor da democracia e dos mercados abertos.
Os provedores existentes de serviços de rede - dica: começa com "tele" e termina com "comunicações" - poderiam aceitar que a rede burra vai engolir as suas redes espertas. Eles poderiam engolir essa pílula agora em vez de gastar centenas de bilhões de dólares para retardar o processo e lutar contra o inevitável.
As agências governamentais responsáveis pela alocação de espectro poderiam notar que o valor do espectro aberto é o mesmo valor real da Internet.
Os que querem censurar idéias poderiam entender que a Internet nunca conseguiria distinguir um bit bom de um bit mau, em qualquer circunstância. Qualquer censura teria que ser feita nas pontas da Internet - e nunca vai funcionar bem.
Talvez empresas que pensam que podem nos forçar a escutar suas mensagens - seus banners e telas intrometidas que se superpõem às páginas que estamos tentando ler - entendam que nossa habilidade de pular de site em site faz parte da infraestrutura da Web. Elas poderiam simplesmente abrir páginas dizendo "Olá! Não entendemos a Internet. E aliás, te odiamos."
Chega disso. Chega de bater nossas cabeças contra os fatos da vida na Internet.
Não temos nada a perder, apenas nossa burrice.
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Melhor dizendo, acabo de entender melhor o mundo real que existe na internet.
Reproduzo abaixo um texto da pagina do Sr. Rainer Brockerhoff (http://www.brockerhoff.net/bb/viewtopic.php?t=10), que simplesmente ilumina nossa santa ignorância sobre uma ferramenta (ou conteudo dessa ferramenta) que usamos diariamente achando que a conhecemos, quando na verdade, o buraco é muito mais embaixo.
Ainda estou engatinhando nesse texto, e tenho mais 2 textos citados ainda pra ler: Cluetrain Manifesto e o texto contra-manifesto "World of Assholes".
Bem, vou colocar o texto do Sr. Rainer na íntegra, que assim facilita o entendimento sobre o que estou falando.
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Publicado em 07 março 2003
Esta é uma tradução, a toque de caixa, do artigo World of Ends, por Doc Searls e David Weinberger. Em menos de um dia, este artigo alcançou o primeiro lugar em vários índices importantes como TechnoRati e DayPop. Ambos são co-autores do clássico Cluetrain Manifesto. Este artigo foi colocado no domínio público pelos autores. Esta tradução foi corrida e vários termos sem dúvida poderão ser melhorados; diversas correções já foram feitas pelos amigos leitores... obrigado!
Mundo de Pontas ("World of Ends")
O Que É A Internet E Como Não Confundí-la Com Outra Coisa
Por Doc Searls e David Weinberger
Há erros e há erros.
Aprendemos com alguns erros. Por exemplo: pensar que vender brinquedos para animais de estimação pela Web é um grande jeito de ficar rico. Não vamos repetir este.
Outros erros repetimos muitas vez. Por exemplo, pensar que:
- ...a Web, como é a TV, é um jeito de manter os olhos parados para anunciantes desfilarem comerciais;
- ... a Internet é algo que as telecoms e as empresas de mídia deveriam filtrar, controlar e de algum modo, "melhorar".
- ... não é bom que usuários de diferentes sistemas de mensagens instantâneas se comuniquem pela Internet.
- ... a Internet sofre de uma falta de regulamentações que protejam indústrias que se sentem ameaçadas por ela.
Quando se trata da Internet, muitos de nós sofrem da Síndrome do Erro Repetitivo. Isso vale especialmente para editoras de revistas e jornais, rádio e TV, TV a cabo, a indústria de discos, a indústria de cinema, e a indústria telefônica, para mencionar apenas seis.
Graças à enorme influência dessas indústrias em Washington, a Síndrome de Erros Repetitivos também afeta legisladores, reguladores e mesmo os tribunais. No ano passado a transmissão radiofônica pela Internet, uma indústria nova e promissora que ameaçava oferecer aos ouvintes escolhas muito superiores às oferecidas pelas cada vez mais uniformizadas (e paleolíticas) emissoras AM e FM, foi assassinada no berço. Armas, munições e ocasionais gritos de encorajamento foram supridos pelas gravadoras e pelo DMCA (Digital Millenium Copyright Act), que incorpora todos os receios dos dinossauros-alfa de Hollywood quando fizeram lobby para a sua aprovação pelo congresso americano em 1998.
"A Internet interpreta a censura como um defeito e roteia para contorná-la", foi uma frase famosa de John Gilmore. E é verdade. A longo prazo, rádio via Internet vai fazer sucesso. Sistemas de mensagens instantâneas irão se intercomunicar. Empresas estúpidas vão ficar espertas ou morrer. Leis estúpidas vão ser revogadas ou substituídas. Mas por outro lado, outra frase famosa, esta de John Maynard Keynes, diz "a longo prazo, vamos estar todos mortos".
Queremos evitar essa espera.
Basta prestar atenção para o que a Internet realmente é. Não é difícil. A Internet não é mecânica quântica. Olhando de perto, nem é ciéncia de 6a. série. Podemos acabar com a tragédia da Síndrome do Erro Repetitivo nos nossos tempos - e economizar alguns trilhões de dólares em decisões imbecis - se lembrarmos de um simples fato: a Internet é um mundo de pontas. Você está numa ponta, e todos os outros, e todo o resto, estão nas outras pontas.
Claro, isso é uma declaração simplista sobre todo mundo possuir valor na Internet, etc. Mas também é o fato básico e palpável decorrente da arquitetura técnica da Internet. E o valor da Internet se baseia na sua arquitetura técnica.
Felizmente, a verdadeira natureza da Internet não é difícil de entender. Na verdade, apenas uma dezena de afirmativas fazem a diferença entre a Síndrome do Erro Repetitivo e a Iluminação:
- A Internet não é complicada.
- A Internet não é uma coisa, é um acordo.
- A Internet é burra.
- Adicionar valor à Internet reduz o seu valor.
- Todo o valor da Internet cresce na sua periferia.
- O dinheiro se muda para os subúrbios.
- Não é o fim do mundo, é um mundo de pontas.
- As três virtudes da Internet:
- Ninguém é dono.
- Todos podem usá-la.
- Qualquer um pode melhorá-la.
- Se a Internet é tão simples, por que tantos se enganam sobre ela?
- Poderíamos parar de fazer certos erros imediatamente.
1. A Internet não é complicada.
A idéia por trás da Internet, desde o início, foi aproveitar a força espantosa da simplicidade - tão simples quanto a gravidade no mundo real. Mas em vez de ajuntar pedrinhas pequenas em volta de uma pedra enorme, a Internet foi projetada para ajuntar redes pequenas, convertendo-as numa rede única enorme.
O jeito de fazer isso é facilitar ao máximo o envio e recepção de dados de uma rede para outra. Assim, a Internet foi projetada para ser o modo mais simples concebível para mover bits de qualquer A para qualquer B.
2. A Internet não é uma coisa, é um acordo.
Quando olhamos para um poste, vemos redes como fios. E vemos estes fios como parte de sistemas: o sistema telefônico, o sistema de energia elétrica, o sistema de TV a cabo.
Mas a Internet é diferente. Não é fiação. Não é um sistema. E não é uma fonte de programação.
A Internet é um modo que permite a todas coisas que se chamam redes coexistir e trabalhar em conjunto. É uma Inter-net (inter-rede), literalmente.
O que faz a "Net" ser "Inter" é o fato que ela é apenas um protocolo - o protocolo Internet (IP - "Internet Protocol"), para ser mais preciso. Um protocolo é um acordo sobre como fazer coisas funcionarem em conjunto.
Este protocolo não especifica o que as pessoas podem fazer com a rede, o que podem construir na sua periferia, o que podem dizer, ou quem pode dizer. O protocolo simplesmente diz: se você quer trocar bits com outros, é assim que se faz. Se você quer conectar um computador - ou um celular ou uma geladeira - à internet, você tem que aceitar o acordo que é a Internet.
3. A Internet é burra.
O sistema telefônico, que não é a Internet (pelo menos por enquanto) é muito esperto. Ele sabe quem está chamando quem, onde eles estão, se é chamada de voz ou de dados, a distância coberta pela chamada, quanto a chamada vai custar, etc. E fornece serviços que interessam apenas à rede telefônica: chamada em espera, BINA, 0800 e muitas outras coisas que companhias telefônicas gostam de vender.
A Internet, por outro lado, é burra. De propósito. Seus projetistas quiseram que a maior e mais genérica rede de todas fosse estúpida como uma caixa cheia de pedras.
A Internet não sabe muitas coisas que uma rede esperta como a rede telefônica sabe: identidades, permissões, prioridades, etc. A Internet sabe apenas uma coisa: esse pacote de bits tem que ser transportado de uma ponta da rede para outra.
Há motivos técnicos para a burrice ser considerada um bom projeto. A burrice é robusta. Se um roteador quebra, pacotes são conduzidos por outras rotas, o que quer dizer que a rede fica de pé. Graças à sua burrice, a Internet aceita dispositivos novos e gente nova, e por isso cresce rapidamente e em todas as direções. Também é fácil aos projetistas inserirem acesso à Internet em aparelhos novos - filmadoras, telefones, irrigadores de jardim - que vivem na periferia da Internet.
Isso porque o motivo mais importante da burrice ser uma coisa boa se relaciona menos com tecnologia e muito com valor...
4. Adicionar valor à Internet reduz o seu valor.
Parece estranho, mas é verdade. Se você otimiza uma rede para um tipo de aplicação, você está desotimizando-a para outras. Por exemplo, se você deixa a rede dar prioridade a dados de voz ou vídeo porque precisam chegar mais rapidamente, você está dizendo a outras aplicações que elas terão que esperar. E logo que você fizer isso, você terá mudado a Internet de uma coisa simples para todos para uma coisa complicada para apenas uma certa coisa. E aí não será mais a Internet.
5. Todo o valor da Internet cresce na sua periferia.
Se a Internet fosse uma rede esperta, seus projetistas teriam antecipado a necessidade de um bom mecanismo de busca e teriam integrado isso na própria rede. Mas como os projetistas eram inteligentes fizeram a Internet burra demais para isso. Assim, a busca é um serviço que pode ser implantado em qualquer uma das milhões de pontas da Internet. Como qualquer um pode oferecer os serviços que quiser a partir da sua ponta, sites de busca competem entre si, o que significa escolha para os usuários e inovações constantes.
Sites de busca são apenas um exemplo. Porque tudo que a Internet faz é jogar bits de uma ponta para outra, inventores podem fazer qualquer coisa que puderem imaginar, contando com a Internet para mover os dados para eles. Você não precisa pedir permissão ao dono da Internet ou ao administrador de sistema ou ao Vice-Presidente de Priorização de Serviços. Se você tem uma idéia, basta executá-la. E toda vez que você faz isso, o valor da Internet sobe.
A Internet criou um mercado livre para inovações. Esta é a chave para o valor da Internet. Do mesmo modo...
6. O dinheiro se muda para os subúrbios.
Se todo o valor da Internet está na sua periferia, a conexão Internet em si deve virar uma função primária, uma commodity. E deve-se permitir que isso aconteça.
Prover commodities é um bom negócio, mas qualquer tentativa de adicionar valor à própria Internet deve ser combatida. Para ser específico: aqueles que fornecem conectividade Internet inevitavelmente vão querer prover conteúdo e serviços também, porque a conectividade apenas terá preço muito reduzido. Mantendo essas funções separadas, vamos permitir que o mercado estabeleça preços que maximizem o acesso e que maximizem inovações em serviços e conteúdo.
7. Não é o fim do mundo, é um mundo de pontas. ("The end of the world? Nah, the world of ends.")
Quando Craig Burton descreve a arquitetura burra da Internet como uma esfera oca composta inteiramente de pontas, ele está usando uma imagem que mostra o que é mais extraordinário sobre a arquitetura da Internet: retire o valor do centro e você viabilizará um crescimento louco de valor nas pontas interconectadas. Porque, claro, se todas as pontas estão conectadas, cada uma com cada uma e cada uma a todas, as pontas deixam de ser pontos finais.
E o que nós, pontas, fazemos? Qualquer coisa que pode ser feita por qualquer um que quer mover bits.
Notou nosso orgulho em dizer "qualquer coisa" e "qualquer um"? Isso decorre diretamente da arquitetura simples e burra da Internet.
Porque a Internet é um acordo, não pertence a nenhuma pessoa ou grupo. Não às empresas estabelecidas que operam a espinha dorsal ("backbone"). Não aos provedores que nos fornecem conexões. Não às empresas de "hosting" que nos alugam servidores. Não às associações de indústrias que acreditam que sua sobrevivência é ameaçada pelo que nós outros fazemos na Internet. Não a qualquer governo, não interessa quão sinceramente acredita que está tentando manter seus cidadãos seguros e complacentes.
Conectar à Internet é concordar em crescer o valor na periferia. E aí algo realmente interessante acontece. Todos estamos igualmente conectados. A distância não importa. Os obstáculos desaparecem e pela primeira vez a necessidade humana de conectar pode ser realizada sem barreiras artificiais.
A Internet nos dá os meios de nos tornarmos um mundo de pontas pela primeira vez.
8. As três virtudes da Internet
Esses são os fatos sobre a Internet. Como avisamos, é tudo muito simples.
Mas o que significa para nosso comportamento - e, mais importante, o comportamento das megacorporações e governos que até então agiam como se a Internet fosse deles?
Aqui estão três regras básicas de comportamento que estão diretamente ligadas à natureza básica da Internet:
a. Ninguém é dono.
b. Todos podem usá-la.
c. Qualquer um pode melhorá-la.
Vamos olhar cada uma de perto...
8a. Ninguém é dono.
Ninguém pode ser dono da Internet, mesmo as empresas por cujos "fios" ela passa, porque é um acordo, não uma coisa. A Internet não só está no domínio público, ela é um domínio público.
E isso é uma boa coisa:
- A Internet é um recurso confiável. Podemos montar empresas sem nos preocupar que a Internet SA vai nos forçar a atualizar, dobrar o preço depois de assinarmos, ou ser comprada por um dos nossos competidores.
- Não precisamos nos preocupar que partes dela só funcionarão com certo provedor e outras partes só com outro provedor, como acontece com celulares, por exemplo.
- Não temos que nos preocupar que suas funções básicas só funcionarão com a "plataforma" da Microsoft, Apple ou AOL - porque aquelas ficam embaixo destas, fora de controle proprietário.
- A manutenção da Internet está distribuída entre todos usuários, não concentrada nas mãos de um provedor que pode quebrar, e nós todos juntos somos um recurso mais robusto do que qualquer grupo centralizado poderia ser.
8b. Todos podem usá-la.
A Internet foi projetada para incluir todos os habitantes do planeta.
Certo, hoje apenas uma fração da população - pouco mais de 600 milhões de pessoas - está conectada à Internet. Então - "podem" na frase "todos podem usá-la" - se sujeita às variações miseráveis da sorte. Mas, se você tem a sorte de ser rico o suficiente para ter uma conexão e um dispositivo que se conecta, a Internet em si não impõe obstáculos à sua participação. Você não precisa de um administrador de sistemas que se digne deixá-lo participar. A Internet, deliberadamente, deixa permissões do lado de fora do sistema.
É por isso que a Internet, para muitos de nós, tem o jeito de um recurso natural. Nós nos aproveitamos dela como se fosse uma parte da natureza humana que estava esperando aparecer - tanto quanto falar e escrever agora fazem parte do que significa ser humano.
8c. Qualquer um pode melhorá-la.
Qualquer um pode fazer a Internet um lugar melhor de viver, trabalhar, e criar filhos. Para piorá-la, precisa-se de alguém extremamente estúpido com uma vontade de ferro.
Há duas maneiras de melhorá-la. Primeiro, você pode montar um serviço na periferia da Internet que esteja disponível para quem queira usá-lo. Faça de graça, faça as pessoas pagarem por ele, coloque uma marmita para receber moedinhas, qualquer coisa.
Segundo, você pode fazer algo ainda mais importante: habilite um conjunto novo de serviços de periferia inventando um novo acordo. Foi assim que se criou o e-mail. E newsgroups. E mesmo a Web. Os criadores destes serviços não fizeram uma simples aplicação final, e certamente não mexeram no protocolo da Internet em si. Em vez disso, inventaram protocolos novos que usam a Internet do modo que ela existe, do mesmo modo que o acordo de como encodificar imagens em papel permitiu às máquinas de fax usar linhas telefônicas sem a necessidade de mudar o sistema telefônico em si.
Lembre-se, porém, que se você inventar um novo acordo, para que ele gere valor tão rapidamente quanto a própria Internet, ele deve ser aberto, sem donos, e para todo o mundo. É exatamente por isso que os sistemas de mensagens instantâneas não conseguiram atingir seu potencial: os sistemas atuais - AIM e ICQ da AOL e MSN Messenger da Microsoft - são territórios particulares que podem rodar em cima da Internet, mas não são parte da Internet. Quando AOL e Microsoft decidirem rodar seus sistemas de mensagens em cima de um protocolo burro que não tem dono e que qualquer um pode usar, terão aumentado grandemente o valor da Internet. Enquanto isso, eles apenas estão sendo burros, e não no bom sentido.
9. Se a Internet é tão simples, por que tantos se enganam sobre ela?
Seria porque as três virtudes da Internet são a antítese do modo como governos e empresas vêem o mundo?
Ninguém é seu dono: empresas se definem pela sua propriedade, e governos se definem pelo que controlam.
Todos podem usá-la: nas empresas, vender algo significa transferir direitos exclusivos de uso do vendedor para o comprador; nos governos, fazer leis significa impor restrições às pessoas.
Qualquer um pode melhorá-la: empresas e governos valorizam funções exclusivas; apenas certas pessoas podem fazer certas coisas, fazer as alterações corretas.
Empresas e governos pela sua própria natureza são propensas a entender erradamente a natureza da Internet.
Há outra razão porque a Internet não se explicou muito bem: as grandes empresas preferem ficar nos dizendo que a Internet é apenas uma televisão lenta.
A Internet tem sido demais como Walt Whitman, que no poema "Cantiga de mim mesmo" ("Song of myself") disse: "Não me preocupo em ser entendido. Eu vejo que as leis elementares nunca se desculpam."
De outro lado, as leis elementares da Internet nunca pensaram que haveria pessoas tentando basear suas carreiras em não entendê-las.
10. Poderíamos parar de fazer certos erros imediatamente.
As empresas cujo valor veio de distribuir conteúdos em formatos que o mercado não quer mais - estão escutando, gravadoras? - podem parar de pensar que bits são átomos ultra-leves. Vocês nunca vão nos impedir de copiar os bits que quisermos. Em vez disso, porque não nos dar razões para prefir comprar música de vocês? Poderíamos até ajudá-los a vender, se nos pedissem.
Os funcionários públicos que confundem o valor da Internet com o valor dos seus conteúdos poderiam entender que, mexendo no centro da Internet, estão na verdade reduzindo seu valor. Na verdade, talvez poderiam entender que ter um sistema que transporta todos os bits igualmente, sem censura de governos e indústrias, é a força mais poderosa já vista a favor da democracia e dos mercados abertos.
Os provedores existentes de serviços de rede - dica: começa com "tele" e termina com "comunicações" - poderiam aceitar que a rede burra vai engolir as suas redes espertas. Eles poderiam engolir essa pílula agora em vez de gastar centenas de bilhões de dólares para retardar o processo e lutar contra o inevitável.
As agências governamentais responsáveis pela alocação de espectro poderiam notar que o valor do espectro aberto é o mesmo valor real da Internet.
Os que querem censurar idéias poderiam entender que a Internet nunca conseguiria distinguir um bit bom de um bit mau, em qualquer circunstância. Qualquer censura teria que ser feita nas pontas da Internet - e nunca vai funcionar bem.
Talvez empresas que pensam que podem nos forçar a escutar suas mensagens - seus banners e telas intrometidas que se superpõem às páginas que estamos tentando ler - entendam que nossa habilidade de pular de site em site faz parte da infraestrutura da Web. Elas poderiam simplesmente abrir páginas dizendo "Olá! Não entendemos a Internet. E aliás, te odiamos."
Chega disso. Chega de bater nossas cabeças contra os fatos da vida na Internet.
Não temos nada a perder, apenas nossa burrice.
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