17 de jul de 2008

Prefeita chilena coloca professor de castigo: ficar virado para a parede

Um professor de uma área rural chilena está há mais de uma semana – durante o horário de expediente – olhando para uma parede, cumprindo um castigo imposto pela prefeita que ficou incomodada com algumas críticas.
O insólito episódio, segundo a edição de sexta-feira (16) do jornal Las Ultimas Noticias, afeta o professor Patricio González, que durante 30 anos foi diretor da escola rural de Lo Rojas, um vilarejo de 400 habitantes do município de La Cruz, cerca de 100 km ao norte de Santiago.

No ano passado, o mau tempo provocou a queda de uma ponte que deixou os habitantes de Lo Rojas isolados. O professor liderou as reivindicações dos moradores à prefeita Maite Larrondo para a reconstrução da ponte. A vindita da chefe do Executivo do município foi ordenar a mudança do professor para o colégio Leonardo Da Vinci, onde deveria ter começado a trabalhar este mês. No último dia 4, mna véspera de sua apresentação no novo local de trabalho, González foi comunicado que, por ordem da prefeita, ele tinha um novo destino: uma escrivaninha na Direção de Educação Municipal.

Quando González perguntou à prefeita Larrondo qual seria seu trabalho, ela respondeu: “Olhe para a parede”. Obediente, González girou sua escrivaninha e desde então sua jornada de trabalho transcorre com a parede como único horizonte, segundo uma foto publicada pelo jornal. Os vereadores de La Cruz apóiam o professor e acusam a prefeita, membro da ultraconservadora União Democrata Independente (UDI), de “autoritarismo, intolerância, vingança”, por isso exigiram que termine com a represália. O deputado Marco Enríquez Ominami interveio e definiu a situação como “um caso esquisito” que deve ter uma solução rápida.

Na manhã desta segunda-feira, uma entidade de defesa dos direitos humanos entrará com uma ação judicial contra a prefeita.

Texto extraído do livro Introdução ao Estudo do Direito, de Cleyson de Moraes Mello, publicado pela Freitas Bastos Editora.

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